Neurocientista Ana Chaves explica como o cérebro reage durante a folia para despertar a paixão e como ela pode virar amor
Quem nunca teve ou ao menos conheceu alguém que viveu um amor de Carnaval? A história é tão séria que ficou até institucionalizada na música da banda Timbalada. “A minha história de amor começou. Era Carnaval, era Salvador”. O período de liberdade, entrega e intensidade da folia é propício para as grandes paixões que têm a avenida como palco. Mas o que a ciência diz sobre isso?
A neurocientista Ana Chaves desvenda como essas paixões acontecem ao explicar como o cérebro reage aos estímulos da festa e o papel dos neurotransmissores nas emoções envolvidas. “O Carnaval é uma bomba de estímulos. Tem a música alta, as cores, as multidões, a euforia coletiva. Isso tudo provoca o que a gente chama de excitação emocional, que é a liberação de muita dopamina pelo cérebro”, diz a especialista.
Segundo Ana, a dopamina é um neurotransmissor responsável pela sensação de prazer. Assim, ao beijar alguém durante a festa, o folião facilmente sente atração e bem-estar. Além disso, por se tratar de uma festa associada à liberdade e à fuga das amarras sociais, a pessoa também fica mais propensa a perder a timidez, se conectar com alguém e se entregar às emoções.
Vai durar pra lá de fevereiro?
Mas depois da entrega e das conexões vividas, depois que o bloco passa, será que a paixão dura? Outra canção da banda Timbalada dá a letra: “O amor me pegou, puro e verdadeiro. Vai durar, vai durar, pra lá de fevereiro”. Para a neurocientista, depois que a poeira baixa, a tendência é voltar à normalidade e nem sempre aquela paixão da folia vai encaixar bem na rotina diária. Vida que segue!
Mas isso não deve invalidar a paixão vivida. Ela continua sendo muito especial porque não importa o tempo que durou, mas as sensações boas que ela provocou. E, claro, é possível que uma paixão de Carnaval vire amor verdadeiro e duradouro, desde que seja saudável do ponto de vista emocional.
“Para isso, três passos iniciais são necessários: identificar o desejo de levar adiante, garantir que a relação faz sentido na normalidade da vida real e conversar para alinhar expectativas. Se os dois estão em sintonia, por que não? E o conselho que eu dou é não deixar de comunicar o interesse por receio da resposta do outro. Se as duas pessoas forem de cidades diferentes, uma boa dose de confiança será o segredo”, finaliza Ana Chaves.
Sobre Ana Chaves
Neurocientista e psicanalista renomada, Ana Chaves se dedica a estudar o funcionamento do cérebro humano e a capacitar indivíduos a alcançarem seu potencial máximo. Através de uma abordagem holística e científica, Ana inspira e orienta aqueles que buscam crescimento pessoal e profissional. Colabora com o UOL e Valor Econômico com colunas mensais sobre equilíbrio emocional e desenvolvimento humano. Também realiza palestras e mentorias, já tendo impactado a vida de mais de 5 mil pessoas. Instagram: @oficialanachaves.
